20 de abril de 2014

Entrevista de Faris Badwan para a Incendiary Magazine

Em março deste ano, Faris foi entrevistado pela Incendiary Magazine. Leia a entrevista completa traduzida.
(Entrevista por Richard Foster).


É uma longa caminhada da estação central de Amsterdam até o hotel Lloyd. Um passo limpo, de 20 minutos ou mais, que fica ainda pior com a chuva. O hotel em si é um estranho local antigo; ele foi (segundo meu informante) um hospital, uma casa de correção, um centro de deportação e uma prisão nazista. O edifício possui uma reputação de possuir atmosferas estranhas e desagradáveis. Não é o tipo de lugar que você escolheria para um hotel.

E o local nesse hotel em que eu estou prestes a entrevistar Faris Badwan do The Horrors não é um lugar que sugere sociabilidade. É um equeno "espaço de espera" aberto, com duas cadeiras e uma mesa, colocadas à frente de um corredor; uma está posicionada no fim de um outro corredor ainda mais sinistro, e rodeado de quartos, alguns dos quais estavam sendo agressivamente aspirados e limpos pelos funcionáros. O tipo de lugar em que você esperaria ver a Nurse Ratched vagando. 

Faris está sentado neste espaço contestado, toda uma série de entrevistas atrás dele e, agora à minha espera, rabiscando em um pequeno caderno. Ele deve sentir essa estranha atmosfera também. Ele não olha para cima. Eu digo 'oi' e ligo meu gravador.

Faris: Esse não é o tipo de sotaque que eu esperaria ouvir hoje. Então, de onde você é?

Incendiary Magazine: Eu morei em lugar chamado Accrington, em Lancashire.

Faris: Accrington Stanley.

IM: De fato, eles jogam em frente à casa dos meus pais, no Crown Ground. Eu costumava ir vê-los bastante, entre ver o Newcastle. Eu gosto desse nível de futebol - quando realmente não importa.

Faris: É um pouco diferente agora, mesmo porque eles tinham Francis Jeffers na última temporada? E Jamies Beattie?

IM: Eles tinham toda uma gama de jogadores lá, e o Beattie é o gerente agora. Eu acho que ele os mantém do seu próprio bolso.

Faris: Ele não joga mais?

IM: Não, eu acho que ele ainda é gerente. Ele é de Blackburn, não é, um rapaz local.

Faris: Eu torço pelo Blackburn.

IM: Você torce? Eu costumava ir por lá anos e anos atrás com amigos quando era um antigo terreno cheio de pombos defecando na sua cabeça. Era sombrio.

Faris: Muito sombrio. Ainda é muito sombrio, para ser honesto, o Blackburn. Eu desci do trem uma vez em Preston e foi tipo... (balança a cabeça) inacreditável. Quero dizer, havia cerca de 60 pessoas que estavam sendo retidas pela polícia, e vômito por todos os lugares. Eu nunca tinha visto nada parecido.

IM: Lancashire é um distrito antigo muito engraçado. Quando você volta, você percebe o quão... poderoso ele é como um distrito.

(Ambos riem)

Faris: Sim, absolutamente.

IM: Em um tipo diferente de mentalidade de outras partes da Inglaterra, de certa forma...

Faris: Concordo. Com certeza.

IM: Vou te contar uma história sobre isso. Eu não era realmente o tipo que se enquadrava em Accrington (risos) e quando eu voltei da Universidade, me lembro de ir para o meu local e alguém disse para mim, (adoto o sotaque de Accrington) "De onde você veio?". E eu disse, "Londres", e eles disseram "O que você fazia lá?".

(Ambos riem)

Faris: É esquisito!

IM: Então, quando você começou a torcer pelo Blackburn?

Faris: Quando eu tinha seis anos, que foi em 1993. E eu tinha uma figurinha do Kevin Gallacher. E os meus jogadores favoritos na época eram Tim Flowers e Colin Hendry. E todo mundo na escola torcia pelo Manchester United. E eu acho que era uma esécie de ... porque você sabe que a última temporada em que eles ganharam foi tipo... tipo, é claro que eles chegaram bem perto... Eu acho que eu gostava do fato de que eu poderia torcer por alguém que não estava competindo diretamente com todos os outros!

(Ambos riem)

... Era principalmente por causa do Colin Hendry. (Silêncio). Mas, sim... desde então descobri que talvez ele não fosse o tipo de herói que eu pensava que ele era.

IM: Ele é um cara interessante, não é? Fez algumas coisas interessantes. Mas é um time muito engraçado no momento com esses proprietários...

Faris: Não sei. Mas ele era um grande jogador.

IM: Eu costumava assisti-lo assim que ele chegou lá. Entre assistir o Stanley e voltar para o Newcastle, meus amigos me levariam para o Rovers. Acho que fui pela primeira vez em 1977 ou 1978; eu vi Miller, Brotherstone, Garner, e mais tarde, Ardilles, Barker e Archibald. Mas esse foi um momento estranho para assistir futebol por causa de todas aquelas brigas que aconteciam... Você veria essas crianças com seus cortes de cabelo 'flick' e tênis Adidas Trainer... Você meio que sabia quem evitar.

Faris: Isso foi realmente o centro de tudo, não foi? Tudo conectado?

IM: Ah, sim. E a música era estranhamente interconectada a isso também. Eu lembro de ir lá, entre 1985 e 1986... E assim que você vê um certo tipo de pessoa, normalmente com uma camisa do New Order, ou um lenço em volta do rosto, você pensava, "ah, merda".

Faris: Sério?

IM: Muitos de seus fãs pareciam ser hooligans! Havia estranhos significados em bandas naquela época. Eu era muito mais tribal então, eram diferentes linhas de falhas. Sorte que todo aquele mundo se foi agora.

Faris: A menos que você seja um fã do Millwall, eu acho. É um tempo diferente. Mas sim... mas eu acho que alguns deles meio que  se apegam a ele um pouco, não?

IM: Há muito disso sobre aquela época. Toda aquela renovação cultural daquela época agora, que o submundo dos anos 80 é um espaço em que todos os tipos de pessoas estão apostando reivindicações culturais. E muitas interpretações diferentes do que aconteceu... Todos esses livros de hooligans por aí. E eu penso, esperem um minuto rapazes, vocês eram apenas um bando de vândalos desagradáveis, e muitas vezes racistas! Vocês não eram bons ou respeitáveis! Eles tentavam validação através da música ou das roupas. Tudo não passou de violência.

Faris: Sim. É apenas uma maneira de pertencer, eu acho. Você leu o livro sobre Robin Friday? Eu acabei de ganhá-lo e não tive a chance de lê-lo ainda. Parece ótimo, li a contracapa, mas só isso.

IM: Ele era um personagem... Eu li vários livros sobre futebol, mas desde que moro aqui, eu gosto de ler sobre futebol alemão e holandês. Tem um livro ótimo chamado 'Tor', de Uli Hesse. Algumas coisas nele são ótimas, culturas iniciais dos times e escândalos. Você deveria procurar, também, um livro chamado 'Brilliant Orange', de David Miller.

(Um comentário. Por volta desse ponto, a limpeza se torna mais e mais agressiva; uma saraivada de choques indiscriminados e estrondos começam a seduzir seu caminho para a atmosfera. Instrumentos e móveis são surrados, os limpadores pisam neles. Eu não posso dizer que isso não nos perturba, porque perturba. Nós fingimos ignorá-lo.)

IM: Eu deveria começar a perguntar sobre o seu disco.

(Faris levanta o olhar e me encara)

Faris: Eu gostaria de evitá-lo... (ri discretamente)

IM: Você gostaria de evitar o disco?

Faris: Bem, eu gostaria de evitar falar sobre música o máximo possível.

IM: Então nós falaremos sobre futebol! Isso não me incomoda.

Faris: Eu não achei que seria tão... eh... simples.

IM: Eu poderia escorregar da pergunta esquisita pelo caminho. Veja se você pode me pegar depois.

Faris: Meu tio costumva jogar para o Hull. Bem, apenas por um curto período, ele estava no time juvenil, seja o que for, mas então ele jogou em Hong Kong pelo... eh... qual era o nome... talvez Happy Valley ou coisa do tipo... não, espera... Sunshine ou algo assim. Não sei. Sabe, seria interessante descobrir. Você não consegue achar nada sobre times de Hong Kong. Porque eles mudam de nome o tempo todo e  eles não tem muito interesse em suas histórias... E isso é realmente estranho porque muitas sociedades asiáticas são realmente militantes sobre suas informações. Até mesmo mais que as sociedades ocidentais. Mas é difícil encontrar material sobre, nesse momento.

IM: Ele jogou antes da transferência, do domínio britânico para o chinês?

Faris: Eu acho que ele estava lá enquanto ainda era britânico.

IM: Muitos times holandeses desapareceram após a Segunda Guerra Mundial, alguns por motivos óbvios. Alguns dos times judeus... Mas ainda é estranho ver todos aqueles nomes de times antigos. Wilhemina Vooruit, por exemplo... E como as alianças mudam agora. Ajax é visto como um time judeu agora. E é parte da cultura deles, provavelmente ainda mais do que em qualquer momento em sua cultura se você acreditar em certas fontes.

Faris: Eu acho engraçado como os torcedores do Spurs chamam a si mesmos 'Yids', e muitos dos seus próprios fãs não gostam.

IM: Muito do futebol sempre foi tribal, e um pouco militar, eu uma vez tive essa noção de que estava tudo interligado. Sabe, você viria de uma área, ou um conjunto de ruas, você seria um católico ou protestante, você torceria para um certo time, e participaria de um certo regimento. Quero dizer, você tem essas alianças estranhas.

(Nesse ponto, a limpeza está ficando um pouco agressiva demais. Quero dizer, você está andando para cá e para lá em um quarto e você vê duas pessoas conversando. Por que a droga da porta está aberta? Por quê?)

Faris: É estranho. É algo com o qual eu não me identifico, eu acho. Eu acho que a mentalidade de gangue sempre foi algo que eu achava que não era legal, sabe, isso é de onde eu sou, isso é o que eu vou fazer, quero dizer, isso é algo que eu acho que é... estranho...

... Sabe, a ideia de que você sabe onde está indo antes de começar. Isso é esquisito.

IM: É uma coisa de segurança.

Faris: Mas para mim, a ideia disso é terrível, sabe, não há o elemento de descoberta, é realmente hã... bizarro. Seria tão claustrofóbico viver assim.

IM: Verdade, mas então as pessoas foram criadas em atmosferas claustrofóbicas, casas geminadas, tudo isso.

Faris: Sim, mas para mim, se você foi criado assim, você iria querer ainda mais escapar! Porque, quero dizer.. quero dizer... meu pai é da Palestina e ele... e era como aquela coisa toda. Ele percebeu que se ele fosse fazer alguma coisa útil, ele teria que sair de lá. E a minha mãe era de Hull, e eu acho que era parecido. Mas é interessante como os membros da sua família são diferentes e que seus irmãos, aquele que jogou em Hong Kong, ele nunca quis sair de Hull e ele ainda está lá. É interessante como se divide; algumas pessoas querem sair de lá e outras desesperadamente não querem.

IM: Eu costumava ver isso... Por que você quer sair de Accrington? (Risos). É uma coisa estranha sobre identidade. Você realmente vê as coisas de uma forma diferente quando você mora em um outro país. Você age de formas diferentes em ambos também. Você provavelmente vê isso quando você está na estrada.

Faris: Sim, definitivamente eu acho que é bastante dramaticamente diferente a forma como as pessoas são aqui. Quero dizer elas são tipo hã... muito engraçadas na verdade... o cara como eu vi na recepção, o cara atrás do balcão. Ele viu meu nome e começou a rir e eu pensei que era realmente engraçado porque você não o teria no Reino Unido. Mas sim, alguém como Mark E. Smith é uma anomalia tão estranha porque ele ainda mora em Salford, mas ele é um alienígena total. E o mundo dele é completamente aquele que não é nada.

(Comentário. Eu tinha um bando de City Funs antigos (fanzines do Manchester) de 1980 comigo. Eu estava mostrando-os a um amigo, e eu os tinha na cadeira ao lado, em cima da minha bolsa. Eu acho que Faris tinha visto, mas não tenho certeza. E tinha ainda um anúncio em um deles para o single 'How I Wrote Elastic Man'. A questão é que eu ainda não abri e nem mostrei para ninguém. Mas estava pensando sobre The Fall pouco antes da entrevista. Hummmm.)

Quero dizer, a ideia dele sobre Manchester. Embora ele sempre a rejeite completamente e pareça liquidá-la, quero dizer, ele sempre fala sobre o porquê do Liverpool ser melhor que o Manchester (risos). Mas o Manchester é tão central para ele, mas é como o Manchester de uma outra dimensão.

IM: Não, eu acho que você está certo. Coisas como a capa de This Nation's Saving Grace, você percebe como a aquela capa é psiquicamente orientada e o quão psíquico é o Mark E. Smith, eu acho.

Faris: Por que você acha que ele é psíquico? Você acha que ele é apenas incrivelmente sensível ou você acha que ele tem percepções estranhas?

IM: Eu acho que ele tem percepções estranhas. Eu o encontrei várias vezes, e eu acho que ele é definitivamente um homem de algum poder estranho e você não o obstrui.

Faris: Sim. E o que mais?

IM: Eu acho que ele tem essa habilidade estranha de controlar situações com as quais outros não seriam capazes de lidar. E talvez tenha algo sobre ele não ser um músico e trabalhar em um ambiente de músicos e controlar pessoas de um modo que outros não podem.

Faris: Suponho que agora... quero dizer, eu não o conheço fora do seu trabalho; mas eu imagino que ele nem esteja lá... é como se os álbuns fossem feitos para ele. Não quero dizer à parte dele, que ele não tenha nada a ver com eles, mas eles estão, esses discos, eles estão tentando entrar na cabeça dele, ou algo. É simplesmente... estranho.

IM: Sim... suponho que ele tenha se tornado um produto de si mesmo de uma maneira.

Faris: Eu realmente não quero dizer que seja de uma maneira negativa!

IM: Não, eu não acho que você quer! Eu acho que ele é muito xamanístico. Ele é como a figura de Loki, sabe, e capaz de, tipo...

(Faris estala seus dedos e olha para cima.)

Faris: Você sabe que ele era um dos meus mitos favoritos. Quando eu era criança, o Loki. O fato de que ele poderia mudar que era... especial. Eu sempre me interessei muito mais por mitos do que por super-heróis.

IM: Eu também. Eu sempre gostei daqueles nórdicos, Loki e Thor.

Faris: Beowulf também.

IM: Na verdade, por falar em Mark E. Smith, eu vou te mostrar algo (Eu pego meu velho City Funs).

Faris: Porque com eh... com ele, quando ele previu com Powder Keg, quando ele previu os tumultos ou seja lá o que for, eu achei quer era realmente legal. Mas então eu li... a razão pela qual eu chamei a música do Horrors de New Ice Age foi porque eu li uma entrevista com ele onde ele disse que o que as pessoas precisavam era de uma nova Era do Gelo para agitar as coisas. E eu pensei que fosse tipo... vários anos antes da recessão. Não sei. Eu gosto da ideia de ser ao que ele estava se referindo.

IM: Eu acho que ele é um  verdadeiro poeta. Eu disse isso uma vez e ele disse para eu me f... Mas eu realmente acho isso.

Faris: O que é aquela máxima sobre "mais ideias em uma capa do The Fall do que em um disco inteiro do Echo & The Bunnymen"? De quem é essa frase?

IM: Eu me lembro dela, mas não consigo lembrar quem disse! Julian Cope, provavelmente! (Risos)

Faris: É um pouco duro com o Bunnymen como eu realmente gosto do Bunnymen, mas existe uma quantidade enorme de ideias nas capas do The Fall. Essas foram as bandas para mim quando tinha 17 anos.

IM: Sempre me espanta a quantidade de pessoas de 15, 16 e 17 anos que realmente amam The Fall. Eles ainda tem um público realmente jovem em partes. E sim, há um monte de velhos bobos como eu, mas muitos dos mais jovens realmente, realmente entendem o The Fall.

Faris: Sim. Eu acho que é porque é evocativo, é quase como eh... ele engana sua cabeça porque você escuta e pensa, ele realmente quis dizer isso? E então você está tendo essa sensação suficiente... suficiente para perceber que é um fato.

IM: Ele coloca essas imagens de uma forma pictórica, por vezes abstrata, te arremessam. E anos depois você pensa, argh, você quis dizer isso, não quis?

Faris: Isso mesmo!

IM: Ele está fora de qualquer rede de indústria. Não importa quantas vezes ele se senta atrás do seu amplificador e toma umas,  ele ainda é capaz de fazer o que quer e isso deve ser admirado.

Faris: Sim... eu definitivamente concordo.

IM: Vou te mostrar isso; um press release de City Fun (Eu abro meu velho City Fun).

Faris: Ah! Isso tá na contracapa do 7 polegadas de Elastic Man. Mas parte dele está lá.

IM: Ele obviamente não gostava dos press releases da Rough Trade! Ele mesmo os fazia.

(Nós refletimos sobre os produtos da mente de M.E. Smith. Smith como um "jovem designer-ah").

... Então, quem mais você gosta além do The Fall?

Faris: Suponho que o que eu realmente gosto ainda é o The Fall, embora eu não tenha os escutado realmente por anos, mas ele sempre permaneceu comigo; e você ainda lê aquelas letras e tem um monte de ideias.

... Acho que no momento eh... bem... eu tive essa coisa estranha um dia deses em que eu não sabia o que estava acontecendo. Eu começaria a gravar e eu teria esse tipo estranho de... flash back. E você sentiria como se você tivesse começado a usar drogas e eu não... faço isso há muito tempo. Mas eu comecei a ter essa coisa como os estágios iniciais de ácido, e eu não me lembro a última vez que tomei. E eu comecei a ouvir... e isso me fez pensar sobre ler uma história, e eu comecei a ler sobre aquele garoto... Frankie Lymon... o garoto que escreveu Why Do Fools Fall in Love. E eu acabei eh... ouvindo aquele disco do Neil Young, Everyone Knows This Is Nowhere. E as partes ao vivo dele são quase como o Velvet. E então você lembra que o Velvet foi há sete anos antes daquilo. E isso é algo com o qual eu nunca vou parar de me surpreender. Aqueles discos do Velvet foram tão precoces...

IM: A forma com que o som deles se reúne é simplesmente incrível. Eu não sei como... É quase como uma tela em branco perene... uma tentativa perene de preencher a sua própria descrição, toda aquela coisa de Richard Hell, sabe... Algo em que não existe cafonice, que você nunca se cansa. O segundo, White Heat White Light, com aquilo que o Cale faz nele... o mesmo que alguém faz quando escreve para sua namorada...

(Os dois juntos) The Gift!

IM: É isso aí. E você pensa que isso está simplesmente vindo de um outro planeta.

Faris: Eu acho que era tudo sobre aquela coisa eh... do Dream Syndicate vir de outro planeta. Transmissões...

IM: As únicas outras bandas que estão próximas ao Velvet são as bandas alemãs, como Can, Faust Amon Düül... Mas com o Velvet Underground, é arte verdadeira. Eu tenho um amigo que descreve esses discos como "alta magia". Você tem que ter cuidado quando os coloca porque eles são alta magia! (Risos)

Faris: Essa é boa! (Risos). Quero dizer, o que eu realmente amo no Can é que eles não são... quero dizer que eles são um produto do seu próprio ambiente, mas então, eles são um produto completamente estranho. Eu acho que isso volta para a coisa do Mark E. Smith de novo. Eu acho que estou interessado em como o mesmo ambiente pode simplesmente criar coisas completamente diferentes e pode formar tanto alienígenas quanto pedestres.

IM: Com o Can, eles são destemidos. Gerenciados por uma mulher, cantor americano negro, depois um cantor japonês, para a época na Alemanha, é incrível que eles não se importassem. O seu primeiro show com Michael Mooney gritando "upstairs downstairs" para o público que passava, quero dizer... E aquele foi um "lindo show", segundo Holger Czukay. (Risos)

... Tentando pensar em coisas que eu realmente gosto, agora. Eu gosto de todo o material experimental holandês do início dos anos 70, como Andriessen, e eu gosto de bandas holandesas do fim dos anos 70 e início dos 80, as bandas ULTRA, elas eram bandas destemidas.

Faris: O que se encaixa nisso então?

IM: Minny Pops, Young Lions, The Ex, Plus Instruments. Muitos eram da escola de artes e estavam fora da indústria musical tradicional holandesa. E muitos deles meio que exploraram isso e fizeram essas colagens sonoras malucas, como pop. E haviam pouquíssimos bateristas verdadeiros naquela cena, apenas um monte de drum machines. Isso deu a eles essa exótica, aresta utópica.

Faris: Eles eram vistos como estranhos? Eu acho... Não sei se é hã... Às vezes quando você ouve pessoas traduzidas parece quadrado, mas eu não sei se é hã... Eu não sei se as coisas apenas se perdem na tradução.

IM: E a ideia do The Other. O cantor do Minny Pops tinha um sotaque holandês muito forte. E a voz dele soava muito orwelliana... muito Big Brother e mais de um som futurista. E pode - para ouvidos estrangeiros - soa realmente outra coisa, mas eu acho que para os executivos dos discos holandeses, eles simplesmente pensam "isso nunca irá vender". Porque tantas músicas de rock tem letras em inglês, que as nuances em inglês as tornam interessantes; então quando isso se torna um padrão definido, fica realmente chato. É por isso que eu gosto da ideia do The Other. E porque eu gosto da língua pop holandesa dos anos 60, porque você não está realmente certo das nuances nas letras. O "ruído do idioma" soa diferente. Para a batida, e eu não sei se o idioma se empresta à batida ou é uma outra qualidade que fica ao lado emprestando uma outra qualidade, mais multidimensional em outro lugar. Não sei. Ela não parece entrar em qualquer buraco.

Faris: Você pode colocar qualquer coisa em um buraco.

IM: Suponho que se você se você empurrar com força suficiente. Na verdade, suficiente para mim.

... Eu realmente deveria te perguntar alguma coisa sobre o seu disco, não deveria?

(Silêncio)

IM: Vou começar dizendo que eu realmente gosto dele.

Faris: Você tem que dizer isso, não?

IM: Mas eu gosto! Vou te dizer porque. Porque o baterista tem essa batida do Brian McGhee - o primeiro baterista no Simple Minds, em discos como Empires and Dance e Sons and Fascination.

Faris: Eu nunca os escutei. Há uma daquelas bandas que.. com cada disco eu descubro a banda através da comparação deles. E Simple Minds. Obviamente ouvi falar deles. Mas as pessoas mencionam Empires and Dance.

IM: Sons and Fascination também.

Faris: Eu acho que o Chameleons foi uma outra banda que eu descobri fazendo discos. Então agora é Simple Minds.

(Silêncio)

IM: As semelhanças entre vocês e o Simple Minds são a elegância da batida, e Brian McGhee sempre foi um pouco medido em seu ritmo. E os synth washes entre vocês e o Simple Minds são similares; Michael McNeil tinha o mesmo tipo de synth washes com todos aqueles pequenos arpejos neles. Sons de trompa da Little Baroque. Pequenas codas que captam a melodia. E isso era muito parecido com vocês. Você pode passar o  seu tempo naqueles discos e você pode levar o tempo que precisar em seus discos. E é por isso que eu gosto dos seus discos. Eu não estou apenas dizendo isso. Do contrário, eu não estaria fazendo essa entrevista. Ou este dia de imprensa, para ser honesto.

Faris: Por quanto tempo você tem feito entrevistas?

IM: Mais de dez anos, mais.

Faris: Quando você costumava entrevistar as pessoas com um gravador, você costumava ficar sem fita?

IM: Sim, muitas vezes.

Faris: É...

... E quando você ouvia de volta tinha muito de avanço rápido?

IM: Você quer dizer que eu estou falando muito? Às vezes sim. Mas lá de novo, eu coloco tudo como uma conversa, então se eu estou tagarelando muito, então isso é o que é. Então os leitores tomam sua própria decisão. Eu não uso isso como eh... barro para fazer um vaso. Não vejo importância nisso.

Faris: Bem, não... eu quero dizer que é muito mais agradável ler.

IM: Se eu estrago tudo, eu descarto e conto a todo mundo. Quero dizer que não sou pago para isso, esse não é o meu trabalho.

Faris: Para o que é então, isso é para, tipo, uma fanzine? Não, isso não é justo, não uma fanzine, isso a deprecia.

IM: Uma webzine!

(Ambos riem. Tristemente, o demônio do aspirador está de volta e está fazendo um barulho infernal ao nosso redor.)

IM: Eu costumava amar coisas semelhantes a isso (Eu pego City Fun). Eu gosto da irreverência neles. Eu não gosto da ideia de que eu sou um tipo de controlador para dizer "você pega essa quantidade de texto, eu pego aquela quantidade de texto".

Faris: Eu realmente acho interessante, mas... o outro lado das coisas, porque quero dizer, eh... eu realmente passo muito tempo pensando como os jornais funcionam, e como eles distorcem completamente...

(Avança um longo silêncio, preenchido com aspirador.)

... Eu não sei. Gosto da ideia de que, ao invés da ideia de que está sendo feito para mim.

IM: Sim. Não gosto da maneira com que os jornalistas trabalham. Eu não me considero um jornalista.

Faris: Que título você daria para você então?

IM: Ah, um fã. Eu escrevo muito, mas... não sei. Escritor de rock, eu acho. Muito do material que eu uso vai entrar na minha tese, ou minha arte, ou algo do tipo. Coisas que me mantém trabalhando. Não gosto da maneira com que os jornalistas de rock organizam as coisas e desmontam as coisas para o exercício de fazer exatamente isso; acho isso patético.

Faris: Sim.

IM: Então, você gostaria de ser um jornalista?

(Mais um longo silêncio, preenchido com aspirador.)

Faris: Não, absolutamente não.

(Novo longo silêncio, preenchido com aspirador.)

Faris: Mas eu nem mesmo sei se eu gostaria de ser um fã. É como se essas coisas fossem tipo eh...

... Bem, eu acho que como uma coisa Mark E. Smith. Coisas acidentais que eu nunca pensei sobre... que surgem e...

(Longo silêncio, preenchido com aspirador.)

... Não sei, eu acho...

... Eu tenho um verdadeiro problema com concentração quando existe eh... aspiradores de pó.

(Os dois riem.)

Não; quero dizer, nós falamos sobre o The Fall... mas eu não sou realmente um historiador porque eu não começo a pensar sobre essas coisas, poque para mim, sempre está lá. E quando há um motivo para falar sobre isso. Ele aparece, mas até então pode muito bem não existir na minha cabeça, se é que você me entende.

(Silêncio. Acho que o aspirador sangrento quebrou a nós dois.)

IM: (Suavemente) Eu entendo o que você quer dizer.

Faris: É... é como se a cada conversa que sempre tenho fosse um fiasco. É como eh... não sei, os espaços entre as frases ficassem cada vez maiores.

IM: Vamos mudar de rumo um pouco. Você mencionou história; bem eu estou querendo ser um historiador. E eu estou constantemente procurando reavaliar as coisas que sei. Porque, depois de um tempo, a natureza do tempo atrapalha a maneira com que você pensa sobre as coisas que você acha que sabia. Então, é por isso, digamos, para esta entrevista, você terá a transcrição na íntegra. Porque a maneira com que pensamos sobre as coisas muda ao longo do tempo.

Faris: Então, não seria mais agradável estar incerto sobre as coisas?

IM: Incerto? Totalmente. Porque quanto mais coisas são publicadas, mas incerto você fica. Você não pode escrever uma história definitiva, você não pode mais permitir uma abordagem apenas como a de Weber ou Adorno. Os tempos em que vivemos não permitem. Nós nos movemos rapidamente para o tempo agora. É bom estar incerto. E, na elaboração de suas ideias, é ótimo perceber que você pode apenas adicionar um grão de areia à praia.

Faris: Por que você pensa que as pessoas estão certas agora?

IM: Eu acho que elas fingem estar. As pessoas estão cheias de suposições agora.

Faris: Sim, absolutamente.

IM: As pessoas também repetem as coisas sem pensar.

Faris: Sim, provavelmente. Você definitivamente tem a coisa repetida porque hã... Você já leu aquele livro "The Drowned World"? Eh, a coisa da repetição é estranha, especialmente quando você testemunha o momento quando você ouve algo e também o momento quando eles o regurgitam. Eu acho isso interessante, especialmente como eles usam isso porque é quase como - talvez eu esteja sendo cínico - mas há algo realmente grotesco em assistir alguém ser eh...

... grosseiramente manipulador. Eu não sei porque, mas talvez isso seja...

eh...

Eu não sei como isso vai traduzir.

(Ambos riem)

IM: "Silêncio longo" "silêncio longo" "silêncio longo"? Vou deixar assim!

Faris: Talvez você pudesse fazê-lo como uma escala de rolagem... mostre os silêncios como grandes lacunas na página. Eu tenho um amigo, e nós chegamos a um certo ponto em nossa relação onde eu poderia soltar uma palavra em uma frase e ele não notaria. Então eu comecei a soltar a palavra 'bananas' dentro das frases. E ele nunca sacou isso. Foi bizarro. E então eu comecei a fazer isso com um monte de pessoas diferentes e foi insano quantas vezes eu poderia dizer um completo absurdo e ninguém notaria. Isso honestamente me fez sentir que eu estava ficando louco. Mas, talvez eu não saiba o que isso significa. Eu acho que é sim. Bizarro. Talvez eu apenas resmungue muito, mas então eu digo às pessoas o que eu acabei de dizer e eles dizem... sim...

IM: Eu comecei a fazer isso, eu solto palavras, como se eu estivesse usando muito o daddy-oh recentemente.

Faris: Ah, quê? Quando eles entendem a palavra que você usou?

IM: Sim. Eu faço isso algumas vezes e então vejo se alguém o usa. Deve ter alguma coisa a ver com alguns genes de antigos Homo sapiens onde você copiou alguma tribo inteligente ou membro do grupo para encontrar comida.

Faris: Mas esse é, tipo, o melhor... caminho. Sabe, eu conheci vários empresários ao longo dos anos na indústria da música. E os mais bem sucedidos são aqueles que adaptam suas personalidades. E então...

... E então, ah Deus... Sabe, eu fico preso em um loop... eu percebo... É como saltar para frente e saber que a pessoa com quem estou falando saberá como eu irei terminar a minha frase. É difícil explicar - uma vez que você fica preso em um círculo.

IM: Como "Sim". Aquela palavra 'sim'. Quando as pessoas dizem isso o tempo todo. Aquela coisa do "sim sim sim"... Eles simplesmente não querem ouvir, mas querem comunicar em um nível. É terrível. Algo como "pare de dizer sim" (Risos).

Faris: Eu tinha um cartão de pare de falar que eu costumava dar às pessoas. Isso geralmente provocava uma certa resposta!

IM: Meu tempo acaba nessa nota!

17 de abril de 2014

Estreia do vídeo oficial de 'So Now You Know'


No dia 17 de março de 2014 o The Horrors estreou a faixa So Now You Know, a segunda do álbum Luminous a ser apresentada ao público. Um mês depois a banda lança o clipe para esta faixa.

Assista aqui ao primeiro vídeo oficial do Luminous:

 

12 de abril de 2014

Tom Furse colabora com Orlando e faz remix de 'Conductor' (TOY)


Recentemente, Tom Furse colaborou com Orlando, que lançou seu álbum de estreia Earth Moon Earth & Other Round Trips (no dia 21 de março) em fita cassete.

O Lado A traz as faixas de Orlando:

01. Earth Moon Earth
02. Anniversary Song
03. Impudent Robot
04. Home

O Lado B traz as faixas do Tom:

01. I'm Going To See The Stars (Or What's Left Of The Stars...)
02. Atlantis


As cópias em fita cassete estão esgotadas, mas a versão digital ainda pode ser comprada no Bandcamp da Re-Alignment of Magnetic Dust (RAM).

Além da colaboração com Orlando, Tom fez um remix de uma música do TOY, no início de abril. A faixa é Conductor, que faz parte do álbum Join The Dots, lançado pela banda em dezembro de 2013.

Nota de esclarecimento sobre o The Horrors Brasil nas redes sociais


A equipe do The Horrors Brasil gostaria de esclarecer que o nosso fansite possui apenas um perfil no Twitter e uma fanpage no Facebook.

Não possuímos Tumblr e não criamos nenhum grupo no Facebook. Portanto, o grupo 'The Horrors Brasil' que existe no Facebook não tem nenhuma ligação com o fansite The Horrors Brasil.

The Horrors Brasil Twitter

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7 de abril de 2014

The Horrors na capa da NME!

Na mesma semana da estreia de So Now You Know o The Horrors apareceu na capa da NME. Leia a matéria completa traduzida.



No escritório da NME - The Horrors, vestidos de preto, das cabeças aos pés acabaram de tirar as fotos para a capa desta edição. Eles se movem sem rumo pelos elevadores quando acontece algo que os deixa momentaneamente boquiabertos. O sujeito que acabou de passar... era... poderia ter sido? Sem dúvida, era: Rick Wakeman, titã do rock progressivo e tecladista do Yes. Não se sabe exatamente o que está fazendo, vagando por esses corredores desertos o homem que uma vez trouxe a extravagância do 'rock-meets-ice-skating' The Myths And Legends Of King Arthur And The Knights Of The Round Table para a Wembley Arena. Mas por um momento todos estão sem fala, esfregando os olhos, enquanto ele flutua pelos corredores.

Mas não tenha a ideia  errada: o The Horrors pode ser uma das mais intrépidas e exploratórias bandas dos tempos modernos, mas esse não é o caso de semelhante reconhecendo semelhante. "Ele é um tipo de figura cautelosa", ri o synth wizard Tom Cowan, enquanto ele fecha a porta do elevador e nós nos apressamos em direção ao céu. "Se parece que você está parecendo ele, você sabe que foi longe demais." Minutos depois nós estamos na sacada do 11 andar, com vistas para o imponente horizonte de Londres, uma expansão de vidro e metal que brilha e reluz na luz do sol do primeiro dia da primavera. O que parece um local apropriado para sentar e discutir o quarto  álbum do The Horrors, Luminous.

Com lançamento previsto para maio, Luminous é um disco tanto de progressão quanto de consolidação - comparado ao predecessor Skying, de 2011, em sua euforia e senso de elevação, mas crepitando com uma eletricidade colorida que é totalmente nova. O disco esbarra em um estilo  machine disco  à Giorgio Moroder (In And Out Of A Sight), cosmic glam (Falling Star, auxiliada por Paul Epworth) e um abençoado  My Bloody Valentine tingido de drone-pop  (Jealous Sun), mas em geral se sente um ângulo inclinado para cima, como um foguete, sem fôlego, perfurando a atmosfera.

A esta altura você já deve ter ouvido So Now You Know e I See You, uma sinfonia psicodélica de sete minutos alimentada pelo brilho inquietante de sintetizadores modulares que o grupo tocou ao vivo no início de março com a assistência de um de seus heróis, Thurston Moore. "A primeira vez em que o encontramos foi no dia em que ele chegou no estúdio em que estávamos ensaiando juntos", diz Rhys, "Ele se virou, disse 'oi', arrumou sua guitarra e pedais e tocou. Nós passamos a música duas vezes e ele disse que estava feliz com isso. Então nós tocamos mais uma vez e então todos nós fomos para o pub."


Para o The Horrors, anunciar um novo álbum parece algo grande. Luminous reuniu mais de 15 meses de delicada experimentação isolados em seu estúdio em Dalston, durante os quais a banda fez o seu melhor para manter os níveis de código vermelho do sigilo.

Até mesmo o processo de revelar o disco é feito com cautela, com Joe Spurgeon decidindo ficar até o final dessa rodada inicial de entrevistas. "Seria uma coisa se fosse apenas se sentar para conversar", ele explica enquanto nos diz adeus. "Mas isso é coisa importante".

Ao invés disso, então, para a hora seguinte eu sento com o The Horrors em dois grupos - o primeiro, Tom Furse e Faris Badwan, e em seguida com Joshua Hayward e Rhys Webb. Com o álbum ainda fresco em suas mentes, agora eles estão apenas realmente elaborando o que é, o que representa, e como compartilhar sua hermética linguagem musical em palavras e sentimentos que o mundo mais amplo será capaz de compreender.

NME: A ideia de luminescência, de luz e sombra, parece ser a chave do disco. Vocês tinham isso em mente assim que foram para o estúdio?

Faris: Eu não acho que nós tínhamos concebido em qualquer momento Para nós, é muito mais emocionante que a linha apareça  organicamente. O que é bom nessa banda é a forma com que interagimos uns com os outros - a tensão ou energia entre os membros. Foi apenas perto do fim do processo que a palavra 'luminous' surgiu. Começou a parecer uma palavra que resumiu tudo.

Tom: É bastante satisfatório quando você vem trabalhando em algo por muito tempo, para encontrar a ideia que o consolida. Nós tentamos não o intelectualizar demais. Não é como, "O que esse sintetizador representa?". Mas quando você tinge a ideia certa no final, aquela que amarra tudo, é tão bom."

NME: Essa é uma deia que vocês tem trabalhado meio que em direção a algo subliminar, você acha?

Tom: Sim, isso faz todo o sentido. Como um disco, ele tem todo esse tipo de brilho, cintilante e efeitos estroboscópicos."

Faris: Aquela sensação de elevação - é definitivamente algo em comum que todos nós estamos buscando com as músicas, e é algo que nós apreciamos nas músicas de outras pessoas.

NME: Existe um senso dançante nele, o qual não havia no Skying.

Tom: Sabe, eu odiaria fazer de 'dance' uma palavra descritiva. É mais sutil que isso. Se usarmos isso "Oh, o The Horrors fez um disco dance" - todos irão esperar 'boom-tish, boom-tish'. Não é isso, absolutamente. Mas ele realmente traz elementos diferentes de diferentes lugares.

Faris: Eu acho que a grande coisa do techno e música de Detroit é que é feito com um ambiente realmente específico em mente. Eles estão tentando fazer as pessoas sentirem um caminho específico. É evocativo, traz emoção.


Tom: Essa música é bastante escapista também. Foi feita em um ambiente industrial, é uma reação contra isso. Mas desde criança, eu sempre amei música que é como um escape do mundo em que você se encontra.

Faris: Como uma banda, nós definitivamente somos escapistas.

NME: Existem alguns artistas específicos do techno de Detroit que vocês gostam?

Faris: Justin Atkins, definitivamente.

Tom: Eu nunca cavei fundo, mas eu sempre achei aqueles discos do Underground Resistance fantásticos. Há um mistério neles, e um aspecto futurista também, o que eu sempre achei muito atrativo. Como nós amamos música antiga, quando você se depara com algo que é empolgante, a maior parte do tempo é porque ele tem uma sensação futurística. Ou ele não é desse tempo, não de agora, ou não de ontem.

Faris: Em alguns aspectos, o The Horrors é mais sobre o passado e o futuro. O presente é o único tempo em que eu sinto que nós não estamos associados.

NME: A Psicodelia parece estar realmente de volta no momento, mas muito disso parece estar preso à estética dos anos 60. Parece uma ideia decepcionantemente limitada do que o termo possa significar.

Faris: (Energicamente) Nós nunca estivemos realmente tão informados sobre outras bandas. Nunca foi algo em que temos prestado atenção o longo da nossa carreira...

NME: Mas eu ia dizer, como The Horrors vocês parecem abordar a  ideia de psicodelia como uma ideia, ao invés de um estilo. Vocês se envolvem em techno, dub, krautrock...

Tom: Absolutamente. A psicodelia se tornou muito de um slogan fácil. Realmente, o termo deveria ser sobre exploração.

Faris: Isso é algo que ficou esquecido.

Tom: A psicodelia parece mais frequentemente ser invocada como uma coisa retro, desejando por um tempo passado. Mas o techno é profundamente psicodélico. Ele coloca você em qualquer lugar - ele coloca você em um ambiente e muda a maneira com que você pensa e sente.

NME: Vocês acham que ir em direção ao futuro é importante para conhecer a sua história?

Tom: Talvez.


Faris: Eu acho que não. Nós começamos a fazer música como algo realmente primitivo, como uma coisa intuitiva. Nós não somos uma banda de cientistas. Bem, o Josh é um cientista (risos). E ele frequentemente usa um jaleco. Mas nós realmente não abordamos a música dessa maneira. É realmente sobre um sentimento que todos nós compartilhamos. Intuição é muito mais empolgante como uma ferramenta.

NME: Como pessoas musicalmente instruídas, vocês se encontram fazendo coisas e pensando, "Oh, isso soa muito como isso, ou muito como aquilo"?

Tom: Sim... às vezes nós temos uma tendência natural de nos afastarmos de coisas que nos lembram outra coisa.

Faris: Nós temos a forte ideia do que é a identidade do The Horrors, e com cada disco do Horrors nós torcemos isso, mudamos levemente. Então cada disco se torna algo sobre descobrir quem nós somos agora, e então apenas vamos em frente. Nesse disco, 'I See You' foi a música que pareceu um desenvolvimento do que nós tínhamos feito antes. E todo o resto veio de lá.

Skying foi um álbum monumental para o The Horrors, um disco que os arrancou dos rankings dos novatos criticamente aclamados e os largou no Top Five do UK Album Chart. Ele também os colocou em sua mais extensa turnê até o momento, dando a eles um vislumbre da Horrormania pelo caminho. Faris se lembra de sua visita ao México "Eu estava no carro do promoter e os fãs pularam nele - de repente, tinha 30 pessoas em cima, e ele ficou coberto de mossas e arranhões. Fora do local, tem essa feira com mercadoria pirata com estampas do The Horrors, fronhas e colares com caixões. Eles realmente vão atrás disso. É como uma festa e 2007 por toda eternidade."

Faris credita tudo à gravadora deles, a XL Recordings. Como um presente para a banda, antes da gravação de Luminous, o chefe da gravadora Richard Russell decidiu dar vida ao sintetizador em forma de pirâmide que aparece no vídeo de 'Changing The Rain' (single de 2012), dirigido por Pete Fowler. "Está no conserto agora, mas tem um pouco dele no álbum", diz Tom. "Foi uma surpresa fantática quando Richard o tornou real. Talvez seja por isso que quebrou - porque ele não deveria ter existido em primeiro lugar."

"Eu não posso pensar em uma outra gravadora na Terra que teria trazido algo como esse à existência", diz Faris. "Richard fica bem animado com as coisas, o que é incomum para um cara do A & R (Artists & Repertoire). Nós tivemos sorte  de encontrar uma gravadora tão boa. Eles tem uma confiança real em nós - eles não querem ouvir as demos, nós apenas temos que dar a eles o álbum finalizado. E nós não teríamos feito esse progresso nos discos se estivéssemos em outra gravadora. Porque tudo está por nossa conta."

Então, vocês não tocam nada para a XL?

"Eles dizem 'Nós adoraríamos ouvir'... Tom ri. E nós dizemos, "Vocês podem ouvir semana que vem", sorri Faris.

E isso se segue por 15 meses?

"Basicamente sim", diz Faris, quero dizer, nem mesmo a minha namorada ouviu durante todo o processo. O motivo era que eu queria que ela fosse totalmente objetiva e afastada quando ela realmente o ouvisse. Eu respeito totalmente a opinião dela, mas é legal escondê-lo, sabe? Eu acho interessante ouvir aquela reação quando está pura."

É hora da parte mais esquisita de qualquer entrevista do The Horrors: interrogar Faris sobre as letras das músicas. Embora, de longe, o frontman do Horrors possa parecer indiferente, até mesmo com um toque arrogante, falar com Faris extensamente, você tem a sensação de um homem que valoriza sua privacidade e se sente profundamente estranho quando é chamado para dissecar suas letras. Ainda, as letras de Luminous parecem convidar análises mais de perto. Rico em alusões à luz e escuridão, elas estão tão reduzidos que quase beiram o simplista, mas ainda permanecem estranhamente enigmáticos.

"Morningwill come/But for now I'm with you", ele canta em Chasing Shadows. "I can hear the music play/Maybe I will love you still/I can see your mistery lifted high against the moon", aparece em In And Out Of A Sight. "Do you look at him the way she looks at me?", ele arrisca na silenciosa, valseada Change Your Mind.

"Eu definitivamente acho as letras mais efetivas quando são simples e diretas", ele diz, movendo-se desconfortavelmente.

"Mas, pra ser honesto, um monte de coisas está escondido para mim porque eu acho que planejar coisas... isso diminui a experiência do ouvinte. E eu também sou bastante privativo, pra ser honesto. As letras são realmente pessoais. Realmente explicam demais as coisas, as tornam mundanas realmente".

Elas parecem canções de amor - mas não no primeiro resplendor de amor. Há uma complexidade de emoções aqui.

"Isso é uma pergunta?"

É uma afirmação. Fico pensando se você concorda, se você sente que soa verdadeiro.

"Ah..." Ele faz uma pausa.

"Pra ser sincero, eu acho, ah, eu não sei. Eu nunca gosto de sobrecarregar as pessoas com minhas explicações. Às vezes eu escrevo todas as letras, e eu irei gravá-las com um efeito vocal realmente insano, então eu não posso ouvir quais são as palavras. E então, alguns meses depois, eu vou reproduzi-las e retranscrevê-las, e ouvir como isso distorce o significado. Eu acho isso realmente interessante, eu acho que separá-las da vida real é legal."

Quando você escreve músicas, você está alcançando uma qualidade universal? Você quer atrair as pessoas em toda parte?

Faris se esforça, "Eu não sei se estou alcançando uma qualidade universal..."

Tom volta para socorrer seu frontman, "Eu acho isso atrativo. Para as letras, eu nunca diria ao Faris, 'Você pode mudar isso ou aquilo?'. Mas para mim, as letras do Faris ressoam para mim porque elas contém algo com que você pode se relacionar."

"Eu suponho que quando eu olho para elas - tipo, eu não sei se alguém se sentou para analisar Still Life, para dar um exemplo", diz Faris.

"Mas, eu acho que é realmente óbvio o que significa."

Eu libero Faris e ele se despede de nós, mas não antes de revelar que ele está em Bath, onde ele e seu par musical/romântico, Rachel Zeffira estão indo para o Real World Studios para trabalharem no segundo álbum do Cat's Eyes.


No lugar dele, entram Josh e Rhys, que rapidamente reiniciam a conversa. Os dois são bem diferentes, embora estranhamente complementares: Rhys, olhos arregalados e gentilmente efervescendo em entusiasmo; Josh com um ar ironicamente estudioso que você sente que poderia florescer um reino de professores loucos completamente desenvolvido. Eles são uma excelente dupla, e a conversa vai da porca de estimação da namorada de Josh, Piggy Sue ("Eles são extremamente inteligentes - mais inteligentes que cachorros, mas tudo é focado em encontrar comida") ao discurso de Alex Turner no Brit Awards ("Causou um grande alvoroço, não?" diz Josh.  "Bem, bom pra ele - é bom ver o apoio das pessoas pelo menos uma vez") e a inexplicavelmente popular subcultura alternativa do steampunk. "Eu realmente a odeio", estremece Rhys. "Eu acho - e isso é engraçado porque nós sempre fomos chamados de góticos - mas, existe aquele tipo de vibe ruim de gótico, não? Enquanto movimentos jovens ou subculturas surgem, essa é a vibe mais chata."

"Eu meio que tenho mais respeito por alguém que queira voltar para a natureza, vivendo da terra", intriga Josh. "Ao invés de queimas coisas e usar óculos de proteção."

Bem como guitarrista do The Horrors, Josh também faz o papel de engenheiro da banda, e é, em grande parte, responsável pela construção e manutenção do estúdio do The Horrors, em Dalston. Para o Luminous, eles expandiram o seu estúdio com equipamentos feitos sob medida, relíquias do rock emprestadas - Falling Star apresenta uma das guitarras de Roky Erikson, tocada através do pedal Jet Phaser, da Roland para duplicar, como uma parte do baixo - e uma nova sala.

"Eu acho que nós estávamos nos sentindo mais estabelecidos no espaço, o que realmente faz você se abrir", diz Josh.


"Você realmente não quer ficar pensando muito sobre onde você está. Nós não somos o tipo de banda que vai a algum lugar ensolarado e faz um disco ensolarado. Você não quer que o ambiente ao redor te afete demais. Você apenas quer que o estúdio pareça uma extensão sua."

Ele também deu ao The Horrors a liberdade para explorar novas técnicas.

"Eu realmente me animei com Shepard Tones", diz Josh. "É uma
ilusão áudio-acústica, descoberta pelo Dr. Robert Shepard. Basicamente soa como se um tom estivesse continuamente aumentando, sem realmente aumentar. É bem inteligente - à medida em que sobe, um outro novo tom entra, de baixo e desfaz o de cima. É como uma espécie de 'barber pole' girando - parece que a parte vermelha está subindo, mas não está, é claro. Nós usamos isso no final de I See You, porque queríamos que parecesse que nunca pára. É aquela coisa estranha, em que a construção é meio que mais emocionante do que chegar lá."

Então a banda se sente morlmente obrigada a experimentar tais efeitos, digamos assim, estados alterados?

"Eu não me sinto moralmente obrigado", Josh sorri ironicamente.

"Mas, certamente, testá-lo em outros estados, fora do ambiente do estúdio é a maneira mais fácil de se remover do processo. Uma das coisas mais importantes sobre isso é apreciá-lo em um período ridículo da manhã, e ver como isso me faz sentir. É uma maneira de testar, checar se está fazendo a coisa certa."

Com o álbum no forno, a banda está se preparando para a temporada de festivais. Por volta de setembro, eles iniciarão a turnê do Luminous, e eles estão pensando em um novo jogo de luzes.

"O cara que cuida das nossas luzes trabalha com o Chemical Brothers, então nós pedimos emprestados alguns de seus lasers para os nossos shows", diz Rhys.

"Nós realmente gostamos da ideia das luzes, o que é uma ideia bem tradicional, mas é uma extensão a mais da música."

"Eu estive falando com um amigo sobre 'Reactive Light Programming' recentemente, o que é meio que um novo campo", diz Josh.

"É um pouco como um protetor de tela do iTunes - o som controla a animação. Então nós estamos tentando resolver como nós faremos isso funcionar em um ambiente ao vivo".

Josh, entretanto, também tem planos extracurriculares.

"Eu realmente quero começar a ensinar Eletrônica às pessoas, ajudar crianças se elas quiserem aprender", diz ele.

"Contudo" - ele range os dentes - "elas tem que estar preparadas para fazer funcionar. Não é fácil, mas é muito recompensador, e eu acho que tem tudo a ver com o tipo de professor que você tem."

"Eu não tenho total certeza sobre isso", diz Rhys, olhando o seu colega de banda, com um olhar que diz, 'Bem, se você é um gênio louco, isso ajuda'.

"Não, realmente", diz Josh. "Eu tive um professor ótimo, e teve um dia em que o meu cérebro estalou, da mesma maneira como você estala as suas costas, e eu simplesmente entendi tudo. Eu acho que eles deveriam ensinar mais matemática na escola, e programação também. É importante. Principalmente para a nossa pequena ilha. Eu apenas preciso pensar na melhor maneira de fazer isso".

Eles são um estranho paradoxo. The Horrors. Músicos intelectuais, mas guiados pela intuição, não pelo conhecimento. Cientistas, mas do tipo que rasga a fórmula do sucesso, preferindo se aventurar mais uma vez no desconhecido. Está na natureza deles.


"Em cada show que tocarmos haverá alguém que aparece e diz, 'Eu gostaria que vocês fizessem um disco como o primeiro'", diz Rhys.

"O que é ótimo. Mas nós não poderíamos fazer isso. Simplesmente não funcionaria. Nós temos que nos sentir envolvidos com o que está acontecendo. Nós temos que experimentar novas ideias para nos mantermos animados", ele sorri.

"Ainda é simplesmente sobre dar aqueles passos naturais."

29 de março de 2014

Estreia de 'So Now You Know'


No dia 17 de março de 2014 o The Horrors lançou "So Now You Know". A música, que é a segunda do álbum Luminous a ser revelada, foi apresentada durante o programa de Zane Lowe, na BBC Radio 1.

A banda falou recentemente sobre o álbum, que será lançado no dia 05 de maio, à NME, onde Faris explica o título: "É uma imagem poderosa, emitindo luz e liberando energia. Ele resume as várias formas com que fazemos música. Uma coisa que sempre foi central para a banda é que nós mantemos o mesmo nível de intensidade desde o início."

Ouça 'So Now You Know' aqui:

3 de março de 2014

The Horrors no BBC Radio 6 Music Festival 2014





















No dia 28 de fevereiro de 2014 o The Horrors tocou no BBC Radio 6 Music Festival, no Stage 2, do Victoria Warehouse,em Manchester.

Entre as atrações do evento também estavam: Damon Albarn, HAIM, The National, Franz Ferdinand, Jake Bugg, Bombay Bicycle Club, Metronomy, Drenge, Jagwar Ma, entre outros.

Após o show, o The Horrors discotecou no Night & Day Cafe, também em Manchester.

O setlist do show foi:


Confira algumas fotos do show:











Assista ao vídeo de Still Life:




Você pode assistir ao show completo aqui, mas o vídeo ficará disponível por apenas mais quatro semanas.





Faris Badwan colabora com Letthemusicplay



















Faris recentemente emprestou seus vocais para uma faixa dance: Bright, do Letthemusicplay.

O single eufórico, que também conta com vocais adicionais femininos, traz Faris cantando em um barítono profundo sobre sintetizadores e uma batida propulsora. A música se constrói com Faris repetindo a linha 'getting brighter' antes de culminar em punhaladas de sintetizadores.

Letthemusicplay havia lançado anteriormente Our Town, com vocais de Kate Tempest, enquanto o single para Bright conta também com remixes de Jakwob e Psychemagik.

Anunciado em janeiro, Bright foi lançado no dia 24 de fevereiro de 2014 pela Junkdog Records.


No mesmo dia foi lançado o vídeo oficial de Bright:



The Horrors no NME Awards 2014


No dia 26 de fevereiro de 2014 o The Horrors subiu ao palco da O2 Academy Brixton, em Londres, para uma apresentação. A ocasião era o NME Awards 2014.

A banda não concorreu em nenhuma categoria, mas fez uma belíssima apresentação, na qual tocou sua nova música, I See You, que estreou na mesma semana. A premiação contou ainda com shows de outros artistas, como Metronomy, Drenge, Belle & Sebastian e Blondie.

Veja algumas fotos do The Horrors no NME Awards 2014:





Assista ao The Horrors tocando I See You:


Assista a uma pequena entrevista de Faris e Rhys para a Absolute Radio na premiação:



E a uma pequena entrevista de Tom e Josh:


Confiram os ganhadores de cada categoria do NME Awards 2014:

Godlike Genius Award
Blondie

Songwriters' Songwriter
Paul McCartney

Award for Innovation
Damon Albarn

Teenage Cancer Trust Outstanding Contribution To Music Award
Belle and Sebastian

Philip Hall Radar Award
Fat White Family

Best British Band
Arctic Monkeys

Best International Band
Haim

Best Solo Artist
Lily Allen

Best New Band
Drenge

Best Live Band
Arctic Monkeys

Best Album
Arctic Monkeys - AM

Best Track
Disclosure - 'White Noise'

Best Music Video
Eagulls - 'Nerve Endings'

Best Festival
Glastonbury

Best TV Show
Breaking Bad

Best Music Film
Made Of Stone

Best Reissue
The Clash - Sound System

Best Band Blog Or Twitter
Alana Haim, Haim

Best Book
Morrissey - Autobiography

Best Small Festival
Swn

Best Fan Community
Arctic Monkeys

Music Moment Of The Year
Noel Gallagher and Damon Albarn come together for Teenage Cancer Trust

Worst Band
The 1975

Hero Of The Year
Alex Turner

Villain Of The Year
Harry Styles